uma visita informativa

Muitas pessoas que terminaram cursos completos de inglês — três ou quatro anos inteiros de curso — me procuram. E é triste constatar que a maioria não se sente confiante pra falar. Ontem tive uma melhor ideia do porquê isso é tão frequente. Por curiosidade, visitei uma escola de inglês de franquia, dessas que têm propaganda aos montes na tv, na internet, em todo lugar. A escola oferece cursos para iniciantes com 16 pessoas em cada sala. São 75 minutos de aula. Mas são 16 pessoas na sala e um professor! Eu disse à moça que me atendeu — muito simpática, por sinal — que desse jeito não havia muito tempo pra cada pessoa falar inglês na aula. E ela explicou que os alunos têm oportunidade de falar entre si. Daí eu quis perguntar que, nesse caso, o professor não tem como corrigir o que cada aluno fala. Mas acabei deixando pra lá. O material cobrado separadamente — e nada barato — é usado exclusivamente pela escola e inclui um cd de áudio e um livro. Esse é o material usado no semestre inteiro. ‘Nós evitamos textos porque tudo é voltado pra conversação’, ela disse. De fato, não existe tempo na aula para decifrar um texto, por mais curto que seja. ‘Mas há atividades online’ ela explicou, ‘que o aluno faz livremente’. Constatei que na verdade, o material cobre bem menos conteúdo do que um livro texto do mesmo nível de uma coleção de editoras como Cambridge, Pearson, MacMillan, ou outras deste porte. Sugeri me candidatar a uma vaga de professor e falamos do salário (por hora) que eles...

fazer aula não equivale a aprender

Um erro comum de quem estuda com um professor é achar que a aula é o que basta pra aprender. Aulas não são suficientes pra tornar alguém fluente em inglês. O trabalho maior acontece paralelamente à aula. Lembre-se que há aqueles — uma minoria, é verdade — que aprenderam sem nunca terem tido uma aula sequer. E há aqueles — um grande número, infelizmente — que nunca aprendem depois de anos tendo aula. Mas dá um certo alívio dizer ‘estou fazendo aula de inglês’, não? E nem é assim tão difícil: custa uma mensalidade e uma horinha por semana do seu tempo. Seria melhor, claro, poder dizer ‘estou aprendendo inglês’. Mas isso dá muito trabalho e exige muito esforço. Pena que nem sempre estas duas frases são...

Uma vantagem da aula particular

Há uma característica da aula particular (entre o professor e apenas um aluno) que é muito importante e que é praticamente impossível de reproduzir numa sala com vários alunos. Trata-se da possibilidade de fazer o aluno contar uma história mais longa e falar inglês – sem ser interrompido – por um período maior de tempo. Veja bem. No contexto de sala de aula normal, o professor faz uma pergunta ao aluno, este responde e o foco passa para o próximo aluno. O primeiro aluno fica então livre pra voltar a pensar em português e ‘se desligar’ da aula. Afinal, o professor já teve sua resposta e está se ocupando agora com outra ‘vítima’. Numa aula particular, o professor pode continuar a conversa com o aluno, forçando-o a ficar focado no assunto e pensando continuamente em inglês por um período mais longo. Isso não é nada fácil e exige muito treino. Por que isso é importante? Porque na vida real, as interações vão acontecer desse jeito. Quando for fazer uma apresentação em inglês, você vai ter que falar ininterruptamente por vários minutos e não simplesmente responder uma pergunta e se desligar do assunto. Quando você for contar uma história, seu interlocutor vai lhe fazer perguntas. Você não vai ter a opção de se desligar da conversa e ‘descansar’ do esforço de pensar em inglês. E essa capacidade de se manter pensando e interagindo em inglês exige treino. Algo que só uma conversa individual com outra pessoa pode...

Traduzir ou não?

Já ouvi gente se queixando de cursos de inglês onde é proibido falar qualquer palavra em português na sala. O que acaba acontecendo é que quando o aluno não entende uma palavra – porque o professor só falou inglês – a explicação acaba demorando mais ainda. E no final, o aluno nunca tem certeza de que entendeu precisamente o significado da palavra. Até que outro aluno, exasperado, acaba dizendo a palavra em português. O problema com tal estratégia é que perde-se muito tempo explicando o significado de coisas básicas. Pra explicar o que é ‘ventilador’ por exemplo, o professor pode dizer ‘a thing that has rotating blades that create a current of air for cooling’.  Isso se ele conseguir chegar a esta definição logo de cara. E se conseguir, será que o aluno vai ligar isso a ‘ventilador’? Eu defendo que o professor traduza palavras deste tipo, pra poder usar o tempo de aula de maneira mais eficiente. O tempo de aula é muito importante pois é o único momento em que o aluno pode falar e inglês e receber feedback sobre o que fala. Mas entendo de onde vem essa corrente ‘anti-tradução’.  Não é eficiente, no início do aprendizado de uma nova língua, traduzir tudo para a língua materna. E uma vez adquirido, este é um hábito difícil de deixar. Mas também acho que explicar uma ou outra palavra em português não é a mesma coisa que traduzir tudo. E o mais importante: o tempo do professor com o aluno deve ser...

Calvin & you

  Você já leu Calvin e Haroldo? O que acha do Calvin como aluno? Calvin escrevendo redação conta cuidadosamente o número de palavras pra não escrever nenhuminha a mais. Calvin está presente na aula fisicamente, mas seu pensamento está em um universo paralelo onde há monstros e ele é um herói intergalático. Calvin evita a todo custo interagir com Miss Wormwood, a professora, que está no mundo para tornar sua vida um inferno. Fala o mínimo possível com ela. Mas Miss Wormwood, além de contar os dias pra aposentadoria, também não morre de amores por Calvin. Então é uma relação de ódio-ódio. Calvin procrastina fazer a tarefa até o último minuto. Geralmente acaba fazendo na noite anterior à aula, bem tarde, quando está com sono e de saco cheio. Fim de semana é pra se divertir e esquecer que existe escola. A tarefa é feita às pressas pra poder sair pra brincar. Revisar e ver se está tudo certo depois de terminar? Que ideia! E ainda tem uma Susie Derkins na sua sala. Aquela menina educada e coxinha que sabe todas as respostas e não passa nenhuma na hora da prova. Você se identificou com o Calvin? As coisas que acontecem com ele são parecidas com você e seus estudos? Ou talvez com você e sua escola de inglês? Então… o problema é que Calvin tem seis anos! Ah, e o inglês dele também é muito bom. Muito bom...

“Coaching” não é só para esportes

Um artigo na revista The New Yorker hoje fala de um conceito em ensino e confirma uma ideia que eu tive há algum tempo: o modelo de ‘coaching’ usado em esportes para treinar atletas é excelente para o desenvolvimento de profissionais. Eu defendo a ideia de que coaching é perfeito pra quem está aprendendo inglês. Basicamente, coaching significa ter alguém que domina uma certa habilidade (ou que entende muito do assunto) observando, julgando e guiando você na sua tentativa de melhorar seu desempenho naquilo. Segundo o cirurgião que escreveu o artigo – ele decidiu contratar um outro cirurgião para treiná-lo no aperfeiçoamento das suas técnicas de cirurgia – a premissa do coaching é que chega um ponto em que você não consegue mais melhorar por si só. Bons coaches sabem quebrar o processo de realização de uma tarefa ou habilidade em pequenos componentes. Ele fala do exemplo do técnico de basquete que chegava a ensinar os atletas a calçar a meia de modo a evitar bolhas. Claro! Bolhas no pé significam banco, que significa perda de dinheiro e talento. Esse exemplo mostra como um coach pensa. Ele leva em consideração todo tipo de detalhe que está atrapalhando o desempenho do atleta. O coach concentra-se naquilo que você está fazendo de errado. Porque a maioria de nós não consegue evoluir sozinho quando chega num determinado ponto. O coach é o ouvido e olho externo que ouve e vê coisas que você não consegue. Bons coaches falam com credibilidade, estabelecem uma conexão pessoal e não focam em si mesmos. Falam de uma maneira direta, mas respeitosa. Uma coisa importante que ele...