testes de inglês onde ninguém fala

Você já percebeu que, embora a maioria das escolas venda conversação, na prática o foco acaba sendo sempre a escrita e a leitura? Quer um exemplo? Quando a escola propõe um teste pra avaliar seu inglês isso acontece através de uma conversa com você ou de um teste de múltipla escolha na internet? O pior é que nem áudio se coloca em tais testes. O foco pra quem estuda inglês deve ser sempre conversar em inglês. Ouvindo sempre e muito. E com a escrita e a leitura vindo logo em seguida. Não se pode aprender a falar bem inglês apenas com leitura.  ...

Virtual? Bah!

Pra muita gente, o virtual não funciona. E não tem que funcionar. Não há nada de errado em gostar de interações ao vivo e em cores ao invés de através de telas de computador. De gostar de papel e caneta ao invés de celular. De bilhetes ao invés de whatsapp. Cada um é cada um e é preciso respeitar as preferências. É chato quando taxam de retrógradas e atrasadas as pessoas que gostam do jeito antigo de fazer as coisas. Besteira. Eu gosto de tecnologia. Mas aprendi inglês quando não havia computador e nem internet. Falar outra língua tem a ver com interações humanas, com comunicação, com expressar-se. Pessoas são mais importantes que as tecnologias que elas usam. Sempre vão ser. Dê uma banana pra esse povo que promove a ideia de que só a tecnologia te permite aprender de modo...

uma visita informativa

Muitas pessoas que terminaram cursos completos de inglês — três ou quatro anos inteiros de curso — me procuram. E é triste constatar que a maioria não se sente confiante pra falar. Ontem tive uma melhor ideia do porquê isso é tão frequente. Por curiosidade, visitei uma escola de inglês de franquia, dessas que têm propaganda aos montes na tv, na internet, em todo lugar. A escola oferece cursos para iniciantes com 16 pessoas em cada sala. São 75 minutos de aula. Mas são 16 pessoas na sala e um professor! Eu disse à moça que me atendeu — muito simpática, por sinal — que desse jeito não havia muito tempo pra cada pessoa falar inglês na aula. E ela explicou que os alunos têm oportunidade de falar entre si. Daí eu quis perguntar que, nesse caso, o professor não tem como corrigir o que cada aluno fala. Mas acabei deixando pra lá. O material cobrado separadamente — e nada barato — é usado exclusivamente pela escola e inclui um cd de áudio e um livro. Esse é o material usado no semestre inteiro. ‘Nós evitamos textos porque tudo é voltado pra conversação’, ela disse. De fato, não existe tempo na aula para decifrar um texto, por mais curto que seja. ‘Mas há atividades online’ ela explicou, ‘que o aluno faz livremente’. Constatei que na verdade, o material cobre bem menos conteúdo do que um livro texto do mesmo nível de uma coleção de editoras como Cambridge, Pearson, MacMillan, ou outras deste porte. Sugeri me candidatar a uma vaga de professor e falamos do salário (por hora) que eles...

dar aula não equivale a ensinar

Se por um lado, fazer aulas não te torna um aprendiz de inglês, por outro, dar aulas não torna uma pessoa um professor. O ensino do inglês é um trabalho particularmente propenso a aventureiros. A pessoa passa 6 meses no exterior e voilà… volta com uma nova profissão: professor de inglês. Infelizmente as coisas não são tão simples. Ensinar não é fácil. Mesmo quem é fluente na língua pode não levar jeito nenhum pra ensinar. Por isso, há muita gente ruim dando aulas. Tipo, muito ruim mesmo. Gente que não sabe inglês. E gente que não sabe ensinar. E, claro, há aqueles que conseguem combinar as duas coisas. Como pode isso? Simplesmente porque escolas que pagam merrecas aos seus ‘professores’ (99% delas) vão atrás exatamente desse pessoal sem qualificação: mão de obra barata pra maximizar lucros. E clientes em busca de soluções fáceis e preços mais em conta são as vítimas mais comuns desse esquema de...

Como saber se estou falando errado?

É difícil descobrir por si só se há algo errado com seu jeito de falar inglês. Mas aqui vão algumas dicas que podem ajudá-lo a ter uma ideia de a quantas anda sua capacidade de se comunicar oralmente: A pessoa pede que você repita palavras ou expressões com frequência. Isso pode indicar problemas de pronúncia. Pode ser também que você não tenha confiança e tenha uma tendência a falar baixo demais. A pessoa não entende o que eu digo num primeiro momento e eu geralmente preciso reformular minhas ideias pra que me entendam. Isso pode indicar que há problemas na organização das suas ideias. Pode ser que você esteja muito preso à sua forma de pensar em português e esteja simplesmente traduzindo do português para o inglês. O resultado é um amontoado de palavras do inglês que, quando juntas, não fazem sentido para um falante nativo (este é o famoso ’embromation’). Preciso recorrer muito a gestos e ajudas não verbais para me fazer entender. Não há problema em usar gestos para se comunicar. O problema é depender deles porque não estamos conseguindo nos expressar com as palavras. Meu interlocutor com frequência sugere palavras diferentes das que eu uso. Isso pode significar problemas no uso do vocabulário, na sua escolha de palavras. Possivelmente você não está familiarizado com expressões idiomáticas ou collocations (combinações de palavras). Se estas coisas estão acontecendo com você, peça a um professor ou alguém que saiba bem inglês pra te dar uma opinião sobre seu jeito de falar. Procure corrigir os erros para se fazer entender melhor....

Traduzir ou não?

Já ouvi gente se queixando de cursos de inglês onde é proibido falar qualquer palavra em português na sala. O que acaba acontecendo é que quando o aluno não entende uma palavra – porque o professor só falou inglês – a explicação acaba demorando mais ainda. E no final, o aluno nunca tem certeza de que entendeu precisamente o significado da palavra. Até que outro aluno, exasperado, acaba dizendo a palavra em português. O problema com tal estratégia é que perde-se muito tempo explicando o significado de coisas básicas. Pra explicar o que é ‘ventilador’ por exemplo, o professor pode dizer ‘a thing that has rotating blades that create a current of air for cooling’.  Isso se ele conseguir chegar a esta definição logo de cara. E se conseguir, será que o aluno vai ligar isso a ‘ventilador’? Eu defendo que o professor traduza palavras deste tipo, pra poder usar o tempo de aula de maneira mais eficiente. O tempo de aula é muito importante pois é o único momento em que o aluno pode falar e inglês e receber feedback sobre o que fala. Mas entendo de onde vem essa corrente ‘anti-tradução’.  Não é eficiente, no início do aprendizado de uma nova língua, traduzir tudo para a língua materna. E uma vez adquirido, este é um hábito difícil de deixar. Mas também acho que explicar uma ou outra palavra em português não é a mesma coisa que traduzir tudo. E o mais importante: o tempo do professor com o aluno deve ser...