Se você não gosta do professor…

Fizeram um estudo com 120 crianças de 6 anos de idade. Colocaram estas crianças na frente de computadores e deram testes cognitivos pra que elas resolvessem — envolvendo formas, padrões e analogias. E antes de começarem o teste, mostraram uma foto do professor da criança na tela. Mas a imagem aparecia por uma fração de segundo, sem que as crianças pudessem entender — era subliminar. As crianças que tinham um relacionamento mais próximo com seus professores — em contraste com as que tinham um relacionamento mais distante com os seus — acabaram resolvendo os problemas mais rapidamente (Ahnert et al 2012). Isso valia pra alunos da mesma sala, o que sugere que não é uma questão de currículo. Se você acha que isso só vale pra crianças, os resultados foram parecidos quando repetidos com alunos do segundo grau. A maneira como você se relaciona com seu professor — se você gosta dele ou não, se ele gosta de você, se ele liga pra o seu aprendizado — tem um peso enorme no seu desempenho. Mais do que coisas como o material usado pela escola, o método de ensino e a localização da escola. Pense nisso quando for escolher onde...

O talento especial pra aprender línguas.

Antigamente eu achava que algumas pessoas tinham um talento especial pra aprender línguas. Ainda acho, na verdade. O que mudou no meu jeito de pensar foi o peso que passei a atribuir a este talento especial. A verdade é que a maioria de nós não tem este talento especial. Eu não tenho. E apesar disso, bilhões de pessoas no mundo aprendem uma segunda, uma terceira ou uma quarta língua com grande sucesso. E o fazem sem sofrimento. Um fator mais importante no sucesso do aprendizado tem a ver com um outro tipo de talento: a capacidade de perseverar, de exercer disciplina, de desenvolver um gosto pela coisa, de acreditar que você consegue aprender apesar das dificuldades e da falta de tempo. Algumas pessoas chamam isso de inteligência emocional. E este, sim, é o grande talento pra se aprender línguas. Mas o que eu acho mais importante é que o seu professor tem que ajudá-lo a desenvolver essa sua inteligência emocional no decorrer do processo de aprendizado. Pra nós aqui da cup of tea, ajudá-lo a gostar do assunto e motivá-lo a aprender são funções de um bom professor. Ensinar gramática, usar o material e explicar o conteúdo são apenas um aspecto de ensinar inglês. Mas ser professor é muito mais que...

dar aula não equivale a ensinar

Se por um lado, fazer aulas não te torna um aprendiz de inglês, por outro, dar aulas não torna uma pessoa um professor. O ensino do inglês é um trabalho particularmente propenso a aventureiros. A pessoa passa 6 meses no exterior e voilà… volta com uma nova profissão: professor de inglês. Infelizmente as coisas não são tão simples. Ensinar não é fácil. Mesmo quem é fluente na língua pode não levar jeito nenhum pra ensinar. Por isso, há muita gente ruim dando aulas. Tipo, muito ruim mesmo. Gente que não sabe inglês. E gente que não sabe ensinar. E, claro, há aqueles que conseguem combinar as duas coisas. Como pode isso? Simplesmente porque escolas que pagam merrecas aos seus ‘professores’ (99% delas) vão atrás exatamente desse pessoal sem qualificação: mão de obra barata pra maximizar lucros. E clientes em busca de soluções fáceis e preços mais em conta são as vítimas mais comuns desse esquema de...

Calvin & you

  Você já leu Calvin e Haroldo? O que acha do Calvin como aluno? Calvin escrevendo redação conta cuidadosamente o número de palavras pra não escrever nenhuminha a mais. Calvin está presente na aula fisicamente, mas seu pensamento está em um universo paralelo onde há monstros e ele é um herói intergalático. Calvin evita a todo custo interagir com Miss Wormwood, a professora, que está no mundo para tornar sua vida um inferno. Fala o mínimo possível com ela. Mas Miss Wormwood, além de contar os dias pra aposentadoria, também não morre de amores por Calvin. Então é uma relação de ódio-ódio. Calvin procrastina fazer a tarefa até o último minuto. Geralmente acaba fazendo na noite anterior à aula, bem tarde, quando está com sono e de saco cheio. Fim de semana é pra se divertir e esquecer que existe escola. A tarefa é feita às pressas pra poder sair pra brincar. Revisar e ver se está tudo certo depois de terminar? Que ideia! E ainda tem uma Susie Derkins na sua sala. Aquela menina educada e coxinha que sabe todas as respostas e não passa nenhuma na hora da prova. Você se identificou com o Calvin? As coisas que acontecem com ele são parecidas com você e seus estudos? Ou talvez com você e sua escola de inglês? Então… o problema é que Calvin tem seis anos! Ah, e o inglês dele também é muito bom. Muito bom...

Ao telefone com seu professor. E em inglês.

Já pensou que você pode ligar pro seu professor de inglês e combinar a próxima aula ou explicar um atraso (ou porque não fez a tarefa) em inglês mesmo? Isso mesmo: você falando no telefone em inglês com outra pessoa. Por que não? Avise seu professor que você vai fazer isso, escreva o que quer dizer, ensaie e pegue o telefone. Falar inglês com seu professor só na aula? Não é meio como ir pra academia de carro e ficar procurando uma vaga pra estacionar o mais perto possível da porta pra evitar...

“Coaching” não é só para esportes

Um artigo na revista The New Yorker hoje fala de um conceito em ensino e confirma uma ideia que eu tive há algum tempo: o modelo de ‘coaching’ usado em esportes para treinar atletas é excelente para o desenvolvimento de profissionais. Eu defendo a ideia de que coaching é perfeito pra quem está aprendendo inglês. Basicamente, coaching significa ter alguém que domina uma certa habilidade (ou que entende muito do assunto) observando, julgando e guiando você na sua tentativa de melhorar seu desempenho naquilo. Segundo o cirurgião que escreveu o artigo – ele decidiu contratar um outro cirurgião para treiná-lo no aperfeiçoamento das suas técnicas de cirurgia – a premissa do coaching é que chega um ponto em que você não consegue mais melhorar por si só. Bons coaches sabem quebrar o processo de realização de uma tarefa ou habilidade em pequenos componentes. Ele fala do exemplo do técnico de basquete que chegava a ensinar os atletas a calçar a meia de modo a evitar bolhas. Claro! Bolhas no pé significam banco, que significa perda de dinheiro e talento. Esse exemplo mostra como um coach pensa. Ele leva em consideração todo tipo de detalhe que está atrapalhando o desempenho do atleta. O coach concentra-se naquilo que você está fazendo de errado. Porque a maioria de nós não consegue evoluir sozinho quando chega num determinado ponto. O coach é o ouvido e olho externo que ouve e vê coisas que você não consegue. Bons coaches falam com credibilidade, estabelecem uma conexão pessoal e não focam em si mesmos. Falam de uma maneira direta, mas respeitosa. Uma coisa importante que ele...