“Coaching” não é só para esportes

Um artigo na revista The New Yorker hoje fala de um conceito em ensino e confirma uma ideia que eu tive há algum tempo: o modelo de ‘coaching’ usado em esportes para treinar atletas é excelente para o desenvolvimento de profissionais.

Eu defendo a ideia de que coaching é perfeito pra quem está aprendendo inglês.

Basicamente, coaching significa ter alguém que domina uma certa habilidade (ou que entende muito do assunto) observando, julgando e guiando você na sua tentativa de melhorar seu desempenho naquilo.

Segundo o cirurgião que escreveu o artigo – ele decidiu contratar um outro cirurgião para treiná-lo no aperfeiçoamento das suas técnicas de cirurgia – a premissa do coaching é que chega um ponto em que você não consegue mais melhorar por si só.

Bons coaches sabem quebrar o processo de realização de uma tarefa ou habilidade em pequenos componentes. Ele fala do exemplo do técnico de basquete que chegava a ensinar os atletas a calçar a meia de modo a evitar bolhas. Claro! Bolhas no pé significam banco, que significa perda de dinheiro e talento.

Esse exemplo mostra como um coach pensa. Ele leva em consideração todo tipo de detalhe que está atrapalhando o desempenho do atleta.

O coach concentra-se naquilo que você está fazendo de errado. Porque a maioria de nós não consegue evoluir sozinho quando chega num determinado ponto. O coach é o ouvido e olho externo que ouve e vê coisas que você não consegue.

Bons coaches falam com credibilidade, estabelecem uma conexão pessoal e não focam em si mesmos. Falam de uma maneira direta, mas respeitosa.

Uma coisa importante que ele observa é que: um coaching mal feito torna a pessoa pior. Faz sentido.

“We care about results in sports, and if we care half as much about results in schools and in hospitals we may reach the same conclusion”, ele diz. Em outras palaras, se nós déssemos a importância que damos ao desenvolvimento de bons jogadores de futebol ao desenvolvimento de melhores profissionais (professores, cirurgiões, políticos) teríamos um país melhor. Gasta-se milhões para se desenvolver habilidades como chutar melhor uma bola. Mas não com técnicas para ajudar um professor a melhor alfabetizar um grupo de crianças.

Mas a coisa não precisa ir tão longe. Talvez eu esteja mais disposta a pagar pra melhorar meu jogo de tênis do que para melhorar meu inglês?

O artigo pode ser lido em inglês aqui.