o inglês e o violão

Aprender uma outra língua é um desafio porque não se trata de simplesmente adquirir uma informação. Não é como aprender um fato histórico ou aplicar uma fórmula matemática. É mais como tocar violão.

Existe o aspecto da performance: de falar inglês na frente de outra pessoa. E este aspecto vem depois que o aluno entende a lógica da gramática. O que geralmente acontece é que o aluno para na gramática.

Contar uma história em inglês é um pouco como aprender a tocar uma música no violão. A dificuldade é estar pronto pra realizar aquela sequência de acordes num momento específico, de um jeito específico. Você não pode trocar a ordem dos acordes, demorar demais pra fazer cada um dos acordes ou parar no meio pra recomeçar. Tem que tocar na hora certa, do jeito certo, no tempo certo. Se não a pessoa não entende a música.

No caso do violão, quando estiver praticando, você pode olhar o desenho do braço várias vezes e decorar mentalmente a sequência. Isso realmente vai te ajudar um pouquinho na hora de tocar. Mas se você não pegar no violão e fizer a sequência várias vezes até deixá-la “redondinha”, não vai adiantar nada. Esse processo todo envolve muita tentativa e erro, frustração, esquecer a sequência, por um dedo de um jeito e ele cair na corda errada, não ter certeza se está fazendo certo e coisas do tipo. E mesmo depois que estiver redondinho, você ainda pode errar quando for tocar na frente de outra pessoa porque pode ficar nervoso.

Falar inglês é bem parecido. Na hora de falar você precisa confiar naquilo que praticou; não naquilo que leu. Quando estava praticando você falou, errou a pronúncia, consertou, usou a palavra errada, consertou, trocou o tempo do verbo, consertou, tentou de novo e finalmente acertou mais do que errou. Agora está na frente de outra pessoa e tem que fazer de novo, mas está nervoso e acabou errando. Tenta de novo, acerta uma coisa, erra outra. Finalmente consegue acertar a maior parte do que ia dizer e a outra pessoa entendeu!

É assim que funciona.

O erro comum de quem estuda é parar no ponto em que se entende o conceito, lá no comecinho, quando se aprende a fazer o acorde ou se entende o funcionamento do verbo to be ou do presente simples.

A aplicação disso — que envolve muita repetição, ensaio, erro, se expor diante de outra pessoa — geralmente não acontece. Ou se acontece é muito pouca. Ou é rápida e superficial. Na aula, com o professor apressado tendo que atender um monte de gente, não há tempo pra praticar. E esta é a parte mais importante.

Por isso há muita gente que faz aula durante anos mas não consegue falar.